quarta-feira, 31 de julho de 2013

Périplo


Procuro-te
No périplo
Do meu corpo
Ressentido
E abandonado
A tentação

E perco-me
Na viagem
De ida e volta
Pelo Cabo
Da tormenta
À satisfação

Insano
Dou asas
Á imaginação
Na vertigem
Do compasso
Mas lúcido

E logo
Atravesso
Esse teu ar
Num voo
Longínquo
E translúcido!

terça-feira, 30 de julho de 2013

Fanatismo


Podes chamar-me
De louco
Ou guloso
Mas sou é tenaz

Pode ser até defeito
Ou feitio
Mas contigo
De tudo sou capaz

Desde mover o mundo
A revirar-te
Os olhos
Na primeira carícia

A dar-te dois dedos
De conversa
E a linguagem
Da mais pura malícia

Porque sou o que te sou
A tua libido
Entornada
No teu Verso tão lunático

E preso ao teu momento
Eu bebo de ti
E pela Calada
Tu gemes: “Meu fanático“! 

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Emboscada


Armo
A culatra
E aguardo-te
Na cilada
Armado
Até ao dentes
Ajoelho-me
Em emboscada

E és ponto
De mira
Na ponta
Do meu cano
Oleado
E camuflado
No azimute
Sem engano

E faço Pim
Pam Pum
E cada tiro
Faz um Zoom
E no retrato
És a vítima
Que grita
“Vá, só mais um!”

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Na submissão


Levo-te aos extremos
Das sensações
Faço-te renascer
Nas minhas perversões

Onde sou o Amo
E tu a minha Escrava
Parida no meu leito
Na tesão mais brava

E calo-te a boca
Em frases ordenadas
Afasto-te as pernas
E as mãos manietadas

Enfio-te os dedos
E depois uma vela na cona
Tiro-a, acendo-a e pingo-a
No teu ventre e marco a zona

O resto já tu sabes
Um enredo com mijadelas
Marcações de território
Entre palmadas e cuspidelas

Até á violação total
Com o teu consentimento
É a prova da tua servidão
Porque gozas no tormento

E num puxão de cabelos
Levanto-te o queixo
E a tua voz Submissa diz:
“O meu Senhor quer, eu deixo!”

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Filosofal


Se penso
E logo existo
Logo sou vida
E se viver
É amar
Então sou Amor
E se gozar
É ter prazer
Então sou furor
Logo sou
Aquele que fode
Esse teu cu com Amor!

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Alinhavado


Há um fio
De seiva
E de cuspo
Que nos une
Mesmo quando
A tua boca
Se afasta da Minha

E por Nós
Dás um laço
Sem qualquer
Embaraço
Pelo rasgo
Aqui costurado
Em toda essa linha!

terça-feira, 23 de julho de 2013

Gravitar


Na tua cauda
Em fogo
Como rastos
De um Cometa
Há um Espaço
Entre a Lua
E o teu Degredo

Onde aterro
De nariz
Ou de queixo
E deixo a língua
A Gravitar
Pelas Estrelas
Do nosso Segredo!

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Euforia


Faço
Da minha
Euforia
O novo
Perfume dela
E destilo
Em sua carne
Na forma
De uma querela

Intenso
Do trote
Ao galope
Em chicotadas
De mestre
Eu dou-lhe
As mãos
E conduzo-a
Na louca
Dança equestre

E cavalgamos
Os dois
Alucinados
Nos lençóis
Ou na pradaria
Até á hora
De matar a sede
E bebermos
O néctar
Fruto da Euforia!

domingo, 21 de julho de 2013

De dentro para fora


A Serpente
Maliciosa
Enfia-se
E cora
Na maçã
De dentro
Para fora

Ela cospe
O veneno
Na polpa
Carnuda
No pecado
Original
A pele muda

E surda
Ela rasteja
Rebenta
E borra
A pintura
Quando
Nela esporra!

sexta-feira, 19 de julho de 2013

A Queda


Vais
E voltas
Como um Anjo
E nunca sei
Se voas
Ou se desta cais
Mas
Se caíres
Há uma certeza
Eu agarro-te
E não
Te largo mais!

quarta-feira, 17 de julho de 2013

A.D.N.


A afamada
Origem
Da espécie
É difamada
Diante
Dos teus olhos
Em lances
Roçando o epopeico

É o colapso
Da seiva
E da vida
Num lapso
Na translúcida
Loucura
Em meu ácido
Desoxirribonucleico!

terça-feira, 16 de julho de 2013

O Jogo


Parto
Cedo
Do princípio
Mas volto
Sempre
Ao início
 
E Nu
 Teu corpo
Em tabuleiro
Lanço
O Dado
Batoteiro

Movo
A Peça
Casa a casa
Da boca
Ao ventre
Em desgraça

E entro
Na Prisão
Em preventiva
Fujo
E dás-me
Uma alternativa

O regresso
À casa
De onde parti
E (re)vertes
O Jogo
Todo para ti!

domingo, 14 de julho de 2013

Redemption


She seeks
Redemption
Crawling
For the thrill

Teared apart
By my arms
Moving on her
Like a windmill


Then I give
And she takes
When I throw
My blade away

From flesh
To dust
She chooses
The milkyway

So I stab her
And It´s only
All over
When it´s over

And she cum`s
To life
When I die
Of killing her!

sábado, 13 de julho de 2013

Instrumental



Enquanto
Tu tocas
Beijas
E sopras
No Instrumento
A melodia
Que me ergue
E aos teus lábios cola

Eu dedilho
Acordes
Sem Dó
Pela Ré
Onde a língua
Rasga-te
Um raio de Sol
Nas cordas da tua,Viola!

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Tríptico


Alors, ma bouche
Talks with
Mein Zeigefinger

“Kommt mit mir
Dans le plaisir
Where we linger

Inside and out
Weisst du jetzt
Qui est l`artiste

Pour ton moment
Of pure joy
In meine gesicht!

Assente


Sem acento
É agudo
O grito
Assente
Que ela dá
No agacho
Quando se senta
Acentuada
Na tónica
Do meu
Assento
Mais grave
Que nela
Tão bem assenta!

quinta-feira, 11 de julho de 2013

O Ser poeta


Não
Não sou poeta
E não me importa
Se escrevo muito ou pouco

Apenas gozo
Com o corpo
E (d)escrevo
A lucidez do meu lado louco

E ser poeta
Reza a história
È amar assim
Apenas perdidamente

É abdicar
Do corpo
E contentar-se
Viver só pela mente

É depositar
Os sonhos
No ar vazio
E numa folha de papel

Ao que eu
Para me contentar
Tenho de deitar
Os meus sonhos na tua pele!

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Homilia


Abre a boca
E abre os olhos
Não tenhas medo
E prova os molhos

Os meus nos teus
Misturados
No céu da tua boca
Em mares agitados

Até á garganta
Numa louca folia

Feita na vertigem
De uma homilia


Agora,olha para mim
E aceita o dote
Nesta projecção
Do meu sumo-sacerdote!



O Pão que o Diabo amassou


Tenho que te prender
Para que te soltes
E tirar-te um sentido
Para que te encontres

E nos outros quatro
Vou-te mostrar a razão
Porque que te digo
Que és minha cega tesão

Cativada na espera
Dar-te-ei com preceito
O que sempre foi teu
Por legitimo direito

E rasgo os trapos
Do teu corpo pasmado
Limpo a Saliva
Do teu sexo esfaimado

Com a boca vil
Sugando o momento
Dos lábios á língua
Nesse cravo suculento

E os dedos avançam
Como se comprometem
A ir ao fundo da questão
Abracadabra e desaparecem

Então a tua boca desatina
E pede que eu te foda
Mas não, ainda não
Quero que te babes toda

Prendo o  teu grelo
Entre os dentes frios
Chupo-o e lambo-o
Dando-lhe mil calafrios

A hora H está á vista
Presa por um fio
E agora sim fodo-te
No final deste desafio

Desvendo-te os olhos
Para veres quem eu sou
Sou o Pão de Deus
Que o Diabo amassou!

terça-feira, 9 de julho de 2013

Uma agulha num palheiro


Os teus olhos
Na busca incessante
São como pérolas
De brilho constante

Procuras o corpo
Do meu esplendor
Que tanto adornas
Em gestos de amor

Até ao encontro
Das almas aguçadas
Em teus lábios
Logo alinhavadas

Que entre eu e tu
Eu entro e saio
Fico um bocado
Tão pouco me retraio

E na ponta afiada
Um fio do mel verdadeiro
E sabes que achaste
Uma agulha num palheiro!

Crónica de um Vampiro


Primeiro intimido-te
Mordo-te
E faço-te tremer
As veias mais íntimas
As ganas de sugar
E beber
A tua intimidade
São mais que legítimas 

No pescoço intimado
Vou á jugular
Antes de chupar
O teu íntimo suspiro
Qual antídoto
Na doença crónica
De intimamente
Ser este teu Vampiro!

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Expiatório


É notório
O calor
Que invade
O acessório
A pele
Escorrendo
Num sudatório
É o desejo
Premente
E obrigatório
A purga
Do corpo
Em crematório
E que batam
As palmas
No auditório
É o louco
Trajado
De simplório
Expulso
Por conduta
Dum sanatório
Talvez até
A puta
Do escritório
Ou o reguila
Fugido
Do reformatório
O tal cabrão
Em bode
Expiatório
Marcado
A vermelho
Num relatório
Mas sou
Apenas eu
Alienatório
Aos nomes
Que me dão
Em contraditório!

domingo, 7 de julho de 2013

Dicotomia


Dicotómica
É a fenda aberta
No caule vigoroso
Quando fecundada
Tão levianamente
Pela tua língua
Em destemidas prosas

E nesses instantes
Sou como tu
Fêmea vasculhada
Em espasmos
A sentir o que sentes
Quando no (in)verso
Na minha Língua gozas!

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Profundezas


Com jeito alcanças
As minhas profundezas
Primeiro com a língua
E depois com as presas

Onde lambes, molhas
E intrometes-te a fundo
Trincas, chupas com fé
Até ao fim do (i)mundo

Tiras, metes e saboreias
Rebentas a escala indecente
E descobres mais um pouco
O buraco negro transcendente

Porque nesta tua conquista
Os dedos também me comem
Nessa tua gula que não me faz
Nem mais nem menos Homem!

quinta-feira, 4 de julho de 2013

ReLance


No relance
Viciados
Rolamos
Como dados

Sem batota
Lançados
No desejo
Tão atiçados

Em pele
Suada
A antecipar
Outra jogada

Em que
A chamada
É a carne
Já apostada

Em sentir
O caralho
A dar cartas
Sem baralho

Sem saberes
Onde calho
Mas sabes
Que não falho!

Delinquência



Manobras-me
Em chaves de mão
Roças a língua
No meu pau de cabrão

E logo lambes
A lágrima solitária
Translúcida
Feita puta ordinária

Pois entre as tuas
Artes e artimanhas
Dissecas-me
A alma e as entranhas

Para que assim
O veneno que habita
O meu corpo
Seja a minha cripta

Que no leite expelido
Por soluços emergentes
Eu morra de gozo
Nas tuas mãos delinquentes!


quarta-feira, 3 de julho de 2013

Lúbrica


Começam
Lentos
Os dedos
Sonolentos
Acelerados
Em interacção
Na maldita
Tesão
Pelo fim
Pretendido
O render
Do Sentido
Obrigatório
Pela via
Do meu ver
Se te avia
Sem ar
De púdica
Na rota
Tão lúbrica!

De A a Z



De A a Z
O rito sagaz
Seja eu
O perspicaz
O bandido
Ou o audaz
O que interessa
È ser tenaz
Demonstrar
Que sou capaz
De na guerra
Dar-te a paz
Que a ti
Tanto te faz
Seres tu a cabeça
De cartaz
Ou recompensa
Num cabaz
Onde a pena
Mais eficaz
É sucumbires
Como te apraz
Neste meu
Apetite voraz!

terça-feira, 2 de julho de 2013

A Saga


A anarquia
Toma a carne
Que grita
Num insólito ardor
Qual criatura
Endiabrada
Que se ergue
Em todo seu furor

E da febre
Fazes a revolução
Do sopé
Á cabeça do cravo
Por linhas
Escorrida
Na batalha
Onde luta um bravo

E dás razão
Á irracionalidade
E ao caos
Todo depositado
E na seiva
Jaz a saga
De um mártir
Em caldo entornado!

segunda-feira, 1 de julho de 2013

A Chave


Sabes-me
Chave Mestra
Da tua porta
Aquela que te entra
E dá uma volta
Ou duas
Sejam três então
Mas sempre
Sempre cruas
São voltas
Que revoltam
Rangendo
Pela madrugada
Um gemido
O óleo
Um grito
E logo passa
Pois a ti
O que importa
É eu não perder
A graça
E mesmo aberta
Bato
E rebato
Na tua porta
Sou o mensageiro
Da tua
Doce desgraça!