quinta-feira, 25 de abril de 2013

De Ponta


Há uma ponta
Que a aponta
E lhe conta
Como se monta
Sempre pronta
Deixando-a tonta
Nunca desconta
O que nela apronta
Na ponta
Que a reconta
Vezes sem conta
E nunca a desaponta!

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Exibicionista


Cai o sol
E o pano
Cai o óleo
Pelo cano

Da arma
Serena
Pelo duelo
Na arena

Carregada
Do momento
Na espera
Do aumento

Num tiro
Ou por passos
Onde anulados
São os espaços

Que separam

Um Artista
Dum retratado
Exibicionista!

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Mein Herz Brennt

 

Enquanto dormes
Meus olhos escondem-se
Atrás dos teus
E tu vês como eu te vejo

Em cerimónias Religiosas
Ou altares Ateus

Vês como eu me inflamo
E como te quero

Queimar na pele como cetim
Vês como eu te vejo
A fazer de lenha
Numa pira só para mim


E vês na minha lava

A explosão da vida 
No teu olhar de crente
E quiçá em teus olhos vejas
Que neste meu fogo 

“Mein herz brennt”!

http://www.youtube.com/watch?v=CHE-seRNpfc

segunda-feira, 15 de abril de 2013

VulnerHabilidades



É assim de rompante
Corpo adentro em arraste
Pela fenda em oferenda
Entrecortada pela haste

Entro pela frincha
E o teu íntimo é rasgado
Pela fissura entreaberta
Como um sabre afiado

Viras Salomé encarnada
Em posição vulnerável
Perdendo a cabeça
Num corte menos afável

E gozas no brilho da lamina
Que te fode e trespassa
Pois teu corpo fustigado sabe
Que tudo incha, desincha e passa!


domingo, 14 de abril de 2013

Bicho da fruta


“Quero fazer contigo
O que a primavera
Faz com as cerejeiras”
Escreveu Neruda
Sem usar os pontos
E sem brincadeiras

“Quero fazer contigo
O que o bicho
Faz com a cereja”
Escrevo-te eu
Em dedos que seguem
A língua que rasteja

Como quem morde
Lambe e se perde
Na polpa suculenta
Como alguém
Que dentro de ti vive
E do teu sumo se alimenta!

sábado, 13 de abril de 2013

Incoming

Yes 
I know
That nothing
Is really
As it seems
But
I still
Can see you
 Coming
In my dreams!

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Irresistível


À sombra
Do teu nariz
Empinado
No sopé
Desse teu cume
Endiabrado

Arregaço
A manga
Na escalada
E cravo
Uma primeira
Estocada

É uma atrás
De outras
Sem parar
Vale tudo
Até mesmo
Engasgar

E do soluço
Ao salto
Irreversível
Eu atinjo
Essa tua boca
Irresistível!

quinta-feira, 11 de abril de 2013

(Es)galho


Irrequieto
Como um símio
Pendurado
Na Árvore de Cacau
Eu ardo
Feito um diabo

E num ápice
Ou sobressalto
Desse galho
Chamo-te em mim
E dou comigo
Agarrado ao caralho!

Aguarela



E mesmo já sabendo
Que não há espaço ou ar
Nas profundezas do teu peito
Para eu te recriar e respirar

Resta-me apenas trair-te
E macular essas tuas costas 
Como uma tela feita de pele 
E pintar todas as respostas

Que espalhar-me na tua pele
Em pinceladas estonteantes
E entranhar-me nos teus poros
Por actos crus mas relevantes

É a vida numa estranha forma
O efeito borboleta numa mistela
É a minha forma de (am)arte
Perpetuada nesta aguarela!

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Insólito



Procuro
Entre papeis
Repassados
E entre rendas
Transviadas
O que há em ti
Que me deixa
Sempre Pronto

E na busca
Em teu cerne
Devassado
O facto insólito
Há algo em ti
Que em mim
Eu também 
Sempre encontro!

Shooting Stars



Here Am I
Howling

At the moon
Wishing
For that night
In a moonlight
 So restless
And so blind
That you`ll

Give up to fight

Making you
My star

And my prey
Tasting you
Bite by bite

And listening
To your mouth
Begging
For a death

Bloody white

Cause after
Bending you
I´ll fuck you
Wherever
I´ll fit deep

In the end
I´ll shoot you
In the middle
And I´ll put you
Down to sleep!


 http://www.youtube.com/watch?v=W39WaGTPnvg

 "Would you do it with me?
Heal the scars and change the stars"

terça-feira, 9 de abril de 2013

Pés de barro



Levitam
Os teus pés
De terra
Assentes
Na minha pélvis
Voam e tremem
Até serem
Transformados
Em barro
Massa
Acetinada
Nas lágrimas
Do bom gigante
Purificada

Em abraços
Moldada
Num sólido
E belo Jarro!

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Malandragem



Malandra
É a melodia
Da sintonia
Quando toco
No teu sexo
Um longo
Húmido acorde
Malandro
É o arco
Da tua mão
Quando apontas
A minha flecha
Na direcção
Do teu fiorde!

No avesso


Dá-me
A tua Lua
Cheia
E teus cumes
Intumescidos

Dá-me
A tua pele
Em orvalhos
Entre poros
Renascidos
 
Dá-me
A tua boca
Desamparada
E a ré
Sem preceito


E no avesso
Eu dou-te
O meu corpo
Que é todo
Teu por direito!

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Depurado




Se tu
Me provasses
E me sugasses
A inspiração
Sem medos
Irias reconhecer
O teu sabor
Depurado
No sabor
Dos meus dedos!

Consistência


É fascínio
Ou feitiço
Um arrepio
Em fio na pele
Quando fito
Esses teus olhos
Cheios de mel

Áii como
Eu desejo
Teus pomos rijos
E suculentos
Dançando
Nos meus lábios
Em encantamentos

Humm
Como te quero
Nua e aberta
Só para mim
Úii e como
Eu te dava
Mil orgasmos
Sem fim

E esta noite
Corri na mão
O sabor
Da tua existência
És o néctar
 De um afago
Em consistência

Abri os olhos
Os dedos lambi
E o teu gosto
No meu achei
No silêncio da noite
Em que eu verti
E me provei!


 http://www.youtube.com/watch?v=wZ5A3Q0Ks-U

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Amanheceres



 Acordo
Inconsciente
Rogo pragas
Por acidente

“Foda-se!”
“Puta que me fez!”
Tu não estás
Mais uma vez

Estico
O braço
E logo sinto
O embaraço

Do vazio
Nos lençóis
Dos suores
Como anzóis

Da ânsia
Da mão
Procurando-te
Em vão

Do cheiro
Já imaginado
Do teu Sabor
Tão entranhado


Pelo que Só
Só me resta
Por ti fazer
Aquela festa

Erguer o pau
E dar bandeira
Saudar-te
Á minha maneira

E celebrar
Com foguetes
Acender pavios
Em dedos diabretes

Gritar teu nome
Em surdina
Que és a tesão
Que me desatina

E no auge
Desta ilusão
Jorro-te sonhos
De algodão

E deixo-me
Ficar deitado
Sentindo-te na pele
Por mais um bocado!


quarta-feira, 3 de abril de 2013

Colisão


É deixado
Na rua
O cinismo
Nesta conversa
Não é mais
Segredo
Ou opção
Controversa

A colisão
Natural
De duas
Almas penadas
O choque
De naturezas
Perdidas
E achadas

Sem fim
Justificado
Pelo Meio
Logo de início
Cá dentro
És um fogo
Sem qualquer
Artificio!


 http://www.youtube.com/watch?v=w7ph3wWMcFQ

The answer


Once upon a time
There was a girl
With dreams of leather
Until the day
She met a boy
Smooth like a feather

And so she asked
“But…why me?”
“What´s the point of this?”
The boy said right way
“Don´t say nothing!”
“Just bend yourself on your knees!”

And the boy´s
Hard magic stick
Jumps searching for an answer
Crawling on her lips
And on her chin
Moving on her face like a dancer

Slidding slowly
On her tongue
Drawing spells in and out
Showing her
His Point of view
Whille fucking her mouth


And the end
Of this story
I think everybody knows
The answer
Is Cum(ing) in the wind

Everytime she blows!

Numa assentada



Olhas-me
No momento
Em que me colhes
Então abres
As tuas portas
E logo escolhes

Qual dos meus
Olhares
Mais te apetece
O terno
Ou o mais duro
Que logo acontece

E tomas-me
A ferro
Por abas dilatadas
Soltas as ancas
Em danças
Nuas e endiabradas

Incitas
O galope
Numa assentada
Sentes a fundo
O cavalo
Sem sela montada

Dos corpos
Que transpiram
E respiram ofegantes
Caí um grito
Por entre dois
Gemidos constantes

E tal qual
O aroma a alecrim
Aos molhos
Por causa de mim
Choram
Os teus olhos!

terça-feira, 2 de abril de 2013

Afluentes




Aqui anseio
Por um dia
Em que das pontas
Dos meus dedos
As palavras
Não mais fluam
E que dêem
O lugar
A esse teu rio
Um afluente
Onde as minhas
Falanges mergulham!

Exposição





Olha-me
Toca-me
E prova-me
Em tudo
O que em ti
Estou disposto
Sente-me
Fonte
Na tua sede
De me teres
Para ti exposto!

Revelação





Sei que sabes
O quanto
Eu gosto
De me Revelar
E de assim ficar
Exposto
Nu só para ti

E será que sabes
Que ando
Com uma vontade
Que me dispas?
De todo e de tudo
Excepto
Que me dispas de Ti?

Sabes?
É claro que sabes!

Confissões




Entre as tuas coxas
Eu edifico
A minha Igreja
E o teu confessionário

Num culto pagão
Em orações
Á tua Deusa
Mostro-me ordinário

E o teu sino toca
É a confissão
Desta minha boca
Soando a recado

Bendita sois vós
Entre as mulheres
Tu que és fruto
Do meu maior pecado

Pois na Cobiça
Aqui encarada
És maçã suculenta
Da casca á semente

E no teu íntimo
Dás-me a absolvição
E eu dou-te
A língua da serpente

Sharpness






And I take
Your pleasure
All over the way
And reach your soul
Like a devil
Making his day

Like a hunter
Who seeks
Your delicate skin
Keeping you alive
As a witness
Of all Our sin

Like a leech
That sucks
The life out of you
Like a knife
Cutting sharp
Your body through

Like a nightmare
Making you
Scream and sweat
Like a dream
So damn real
That makes you wet

In the end
I´m like a Lion
Fucking your nest
Until you find
Shelter and peace
On my breathing chest

Cristalizados




E são
Para ti
As lágrimas
Do meu gozo
Mais solitário

No deslize
Como lesmas
Libidinosas
Procurando
O destinatário

Brotam
Sem palavras
Da veia mãe
À ponta
Dos dedos vis

E cristalizo
Na tua pele
Os traços
Deste desenho
Que te fiz!

In áqua




Ouvi dizer
Que a água
Lava tudo
Que o que leva
Também trás
Num gesto mudo

Nas marés
Do meu peito
Em tuas costas
Nas chuvas
Que pintam
As tuas encostas

Na saliva
Que escorre
Num longo fio
Nos gemidos
Que galgam
A margem do rio

Na seiva
Translúcida
Em cascatas
Na onda
De calafrios
Onde me arrastas

Na lagoa
Onde afundo
O meu anseio
Onde me afogo
Por um momento
Dentro do teu meio
!

Ousadias



Não penses
Apenas ousa
O corpo e a mente
Que não repousa

 Pede a mescla
Sem sabor a menta
O teu cacau
Na minha pimenta

O ardor
Nos doces beijos
A pele na pele
Roçando desejos

O teu íntimo
Despido a rigor
Os meus devaneios
Desfeitos com vigor

É a formula
Cega de segredos
É o deleite
Sentido sem medos

Pois no auge
Deste meu desafio
Sangramos os dois
Por Nós em fio!

Dueto


 

E a surpresa
Acontece
Quando tu
Pensas
Que o mel
Foi esgotado

Que o meu
Ferrão
Irá cair
Para o lado
Pulsando
E rebentado

É então
Que um todo
Resiste
Ainda firme
Respirando
Entre espasmos

E dentro
Do temp(l)o
Mostro-te
Que é todo teu
Este meu
Dueto de orgasmos!