Era uma noite de tempestade, chovia muito e trovejava
como se os Deuses estivessem enfurecidos.
Elisa deitou-se ao sabor da chuva a bater no vidro da
sua janela e dos relâmpagos que iluminavam o quarto
em rasgos que cortavam a escuridão do mesmo. Fechou
os olhos e começou a acariciar-se, cada vez mais intensa
na ponta dos dedos, acabou por se destapar toda devido
ao calor que lhe tomava o corpo mas que não a parava,
sentia o êxtase a aproximar-se a cada vez que os seus
dedos agitavam o clítoris em movimentos circulantes
que o atiçavam ainda mais, húmido, cada vez mais
realçado, a antever a maré translúcida que aí vinha.
Cada vez mais frequentes, os relâmpagos incidiam
nos espelhos do quarto, e Elisa a cada flash abria os
olhos e via reflectido nos espelhos, imagens de rostos
disformes e assustadores, contorcendo-se em esgares.
Ainda tentou continuar o que estava a fazer mas não
conseguiu, a tesão tinha-se ido, aquelas imagens nos
espelhos reflectidas mataram o desejo e foi só a muito
custo que ela conseguiu adormecer, mas decidiu que
tinha mesmo que se livrar dos malditos espelhos.
Na manhã seguinte, mal acordou, tirou logo todos os
espelhos do quarto e colocou-os junto ao contentor de
lixo junto de sua casa. Nessa mesma noite, choveu a
potes de novo, Elisa deitou-se e desta vez, tocou-se
como uma perdida por três vezes, nunca tinha alguma
vez sentido tanta vontade e excitação e depois dormiu
profundamente por entre a forte carga de água e de
relâmpagos que se abateu durante a madrugada.
Tocou o despertador, eram 07h00, Elisa acordou bem
e recomposta da noite anterior passada quase em
branco. Levantou-se e dirigiu-se á janela para ver
como estaria o dia, foi então que viu algo escrito no
vidro embaciado da janela, que ficava mesmo virada
para o passeio dos contentores de lixo, uma mensagem
escrita pelo lado de fora, que dizia:
- “Elisa, repõe os espelhos por favor, é que nós adoramos
ver-te a acariciares-te !“.