quarta-feira, 5 de novembro de 2014

A Ladra


O que eu quero mais
É que o mundo saiba
Que tu és uma ladra
Quero que saibam
Que roubaste-me os versos
E ficaste tu a minha quadra

Que roubaste o vazio
Dos dias e das noites
Em que fingi viver
Tu roubaste a couraça
Que revestia o meu peito
E fiquei sem nada a temer

Que roubaste-me o corpo
A mente, as taras e o sémen
Só porque tanto te apraz
Tu roubaste a guerra
Que eu trazia em mim
E deste-te ao sabor da paz

E assim roubaste-me
E continuas a roubar-me
E não te vejo a parares
Mas se é para roubar
Então rouba-me tudo e todo
Há muito para saqueares

A Ocasião fez-nos ladrões
E ladrão que rouba ladrão
Tem 100 anos de perdão
Mas seria imperdoável
Não os trocar por 20 ou 30
Presos numa plena comunhão!

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